sexta-feira, 30 de julho de 2010
quinta-feira, 29 de julho de 2010
noética
minha cabeça anda manca
arrasta, piedosamente, os pensamentos mal formados
enquanto apoia-se em mentiras
arrasta, piedosamente, os pensamentos mal formados
enquanto apoia-se em mentiras
quinta-feira, 22 de julho de 2010
unisex
ele gosta de garotos, de preferência mais baixos que ele.
ele lê allan poe, augusto dos anjos e goethe.
clarice é ele.
em seu magro tronco correm estreitos varais poéticos , onde ele estende seus sentimentos mais soberbos e ali os abandona , para que sequem.
ele desafina seu tom para que o mundo o compreenda, mas sua guitarra, já mundana, não liga para tais burocracias.
led zeppelin, pink floyd, ac/dc.
cássia é ele.
ele admira trevor brown pela fina perversidade, e magritte pela genialidade nonsense.
ele filosofa no sofá como quem espera o coelho branco.
alice é ele.
seu drama cotidiano, hora cômico, hora cult, tem enredo ritmado e roteiro escrito por inúmeros punhos. e seu fabuloso destino, parece não chegar.
amélie é ele.
seu grafite, feito agulha, marca a pele e a alma. e é em forma de arte que é carregado nas costas alheias.
eu também sou ele.
> meados de 2007
ele lê allan poe, augusto dos anjos e goethe.
clarice é ele.
em seu magro tronco correm estreitos varais poéticos , onde ele estende seus sentimentos mais soberbos e ali os abandona , para que sequem.
ele desafina seu tom para que o mundo o compreenda, mas sua guitarra, já mundana, não liga para tais burocracias.
led zeppelin, pink floyd, ac/dc.
cássia é ele.
ele admira trevor brown pela fina perversidade, e magritte pela genialidade nonsense.
ele filosofa no sofá como quem espera o coelho branco.
alice é ele.
seu drama cotidiano, hora cômico, hora cult, tem enredo ritmado e roteiro escrito por inúmeros punhos. e seu fabuloso destino, parece não chegar.
amélie é ele.
seu grafite, feito agulha, marca a pele e a alma. e é em forma de arte que é carregado nas costas alheias.
eu também sou ele.
> meados de 2007
direto de 2007
a saudade come
a parca alma que me resta
feito traça ingênua
sem culpa, sem pressa
que não sabe o valor do alimento
a parca alma que me resta
feito traça ingênua
sem culpa, sem pressa
que não sabe o valor do alimento
sábado, 26 de junho de 2010
.lp é lígia paiva
curiosa nossa vida de hoje, parece que não terminei, de fato, de ler um livro, enquanto não transcrevo tudo que grifei no papel para a tela do skoob. como se eu devesse satisfação, precisasse provar que realmente li, ou ainda, me agarrasse na esperança de que, transcrevendo e publicando para o mundo aquilo que me resume, aumentariam as chances de alguém ler e, consequentemente, eu existiria por mais tempo.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
.mulherices
eu perco a pose com facilidade.
minha maquiagem é vagabunda, o pé não sustenta o salto,
e acho específico demais usar um sutiã 42A.
42A. 42 nas costas, 40 no bojo.
só descobri isso ano passado.
não sei ser mulher.
é engraçado o tamanho do que cobre o nosso tamanho.
nostalgia de alfaiates.
meu all star é 38. qualquer outro sapato é 39.
a vida toda tive vergonha de calçar 39.
não tenho mais.
minha maquiagem é vagabunda, o pé não sustenta o salto,
e acho específico demais usar um sutiã 42A.
42A. 42 nas costas, 40 no bojo.
só descobri isso ano passado.
não sei ser mulher.
é engraçado o tamanho do que cobre o nosso tamanho.
nostalgia de alfaiates.
meu all star é 38. qualquer outro sapato é 39.
a vida toda tive vergonha de calçar 39.
não tenho mais.
terça-feira, 11 de maio de 2010
via
que culpa tem o negro cão se a estrada invadiu a colina na qual ele corria?
para o cão, a colina será sempre colina, ainda que coberta de asfalto e salpicada de automóveis.
o cão corre, camuflado pela sombra que a lua nova emana.
o carro corre, como fuzileiro assustado, na corda bamba da estrada.
ao alcançar o asfalto, o cão é descoberto pelos olhos mecânicos do fuzileiro.
o pára-choque encontra o dorso do animal e, como se pedissem desculpa pelo descuido, ambos cedem.
que culpa tem o negro cão se a estrada invadiu a colina na qual ele corria?
para o cão, a colina será sempre colina, ainda que coberta de asfalto e salpicada de automóveis.
o cão corre, camuflado pela sombra que a lua nova emana.
o carro corre, como fuzileiro assustado, na corda bamba da estrada.
ao alcançar o asfalto, o cão é descoberto pelos olhos mecânicos do fuzileiro.
o pára-choque encontra o dorso do animal e, como se pedissem desculpa pelo descuido, ambos cedem.
que culpa tem o negro cão se a estrada invadiu a colina na qual ele corria?
quarta-feira, 28 de abril de 2010
some say april's the cruelest
"por que não? por que me afastar assim, gata?"
- eu prefiro que você me veja sempre assim: bonita, maquiada, me divertindo ao tomar cerveja com você e amigos. de jeito nenhum eu gostaria que a imagem de uma pessoa divertida sumisse aos poucos com as oscilações de humor, crises de choro, tpm, o gosto ruim na boca de manhã, a cara de acabada depois de uma noite mal dormida…
"mas essas coisas fazem parte de você!"
- pois é; a barganha é essa: metade ou nada.
[e por dentro, ela pensava: escolha a metade, por favor]
.escrito por Bea - http://quarentaetresporesdesol.blogsome.com/ .
- eu prefiro que você me veja sempre assim: bonita, maquiada, me divertindo ao tomar cerveja com você e amigos. de jeito nenhum eu gostaria que a imagem de uma pessoa divertida sumisse aos poucos com as oscilações de humor, crises de choro, tpm, o gosto ruim na boca de manhã, a cara de acabada depois de uma noite mal dormida…
"mas essas coisas fazem parte de você!"
- pois é; a barganha é essa: metade ou nada.
[e por dentro, ela pensava: escolha a metade, por favor]
.escrito por Bea - http://quarentaetresporesdesol.blogsome.com/ .
segunda-feira, 26 de abril de 2010
sexta-feira, 23 de abril de 2010
o menino que eu não amo
o menino que eu não amo escreve bem. e escreve muito.
nunca escreve muito bem. mas quem de nós consegue fazer isso ao final das contas?
ele escreve, e isso já é bastante interessante.
o menino que eu não amo penso que não me ama também.
então tudo bem.
nunca escreve muito bem. mas quem de nós consegue fazer isso ao final das contas?
ele escreve, e isso já é bastante interessante.
o menino que eu não amo penso que não me ama também.
então tudo bem.
domingo, 18 de abril de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
aquilo que óbviamente não presta
eu tenho cara de bicho papão.
pareço um enigma e sou tão típica.
me agradar é a coisa mais simples do mundo e ninguém consegue.
eu gosto dos desgraçados, dos sofrimentos visíveis.
do mendigo, do aleijado, da puta por profissão.
desses que sem dizer nada, dão um tapa na cara do meu sofrimento burguês.
pareço um enigma e sou tão típica.
me agradar é a coisa mais simples do mundo e ninguém consegue.
eu gosto dos desgraçados, dos sofrimentos visíveis.
do mendigo, do aleijado, da puta por profissão.
desses que sem dizer nada, dão um tapa na cara do meu sofrimento burguês.
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