o termo "conservador" carrega em si algo ruim mesmo sem, necessariamente, sê-lo.
a princípio, já está dito, conservador é aquele que preza pela conservação de algo.
o problema começa, como diria meu sábio tio adalberto, quando o ser humano resolve interpretar.
como adjetivo, o termo acaba remetendo ao moralismo, sociedade patriarcal, onde tudo é tabú, é ofensa, é feio.
porém, por que não podemos pensar em um conservador dos princípios indígenas? só retirar da natureza o necessário para a sobrevivência.
ou dos valores hippies? sexo, drogas e rock'n'roll.
(aqui cabe um parênteses: nosso mundinho estereotipado não nos deixa ver, mas a verdade é que o hippie e suas roupas confortavelmente coloridas é mais rockeiro que você, coleguinha do cinto de rebite)
por que o posicionamento político do cidadão não pode ser o de cima? ou aquele ali, quase na diagonal da tangente, de revesgueio.
esse catálogo de adjetivos ao qual é preciso se adequar senão (senão o que?), já passou da validade.
quero fuçar no lixo dos anos 60, achar o piloto do catálogo deles, acrescentar e acrescentar, e distribuir na promoção da coca-cola.
só pela farra.
não venha dizer que por fora liberal e por dentro pão bolorento porque isso, além de vilipendiar o termo, ainda soa como piada.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
a pequenez nossa de cada dia
século 19.
a loirinha lê um livro chato que um dia há de ser clássico.
que ousadia a dela em ler um livro chato em pleno século 19,
com essa nossa contagem cronológica duvidosa,
justamente no hemisfério norte de um planetinha sólido-liquido-gasoso que plana sem explicação alguma (não se sabe ao certo se) no meio de uma vastidão de nada.
a parafina engole a chama tornando-a leitoso sopro, e mantendo-se parafina.
"logo agora que um novo capítulo começara".
a loirinha lê um livro chato que um dia há de ser clássico.
que ousadia a dela em ler um livro chato em pleno século 19,
com essa nossa contagem cronológica duvidosa,
justamente no hemisfério norte de um planetinha sólido-liquido-gasoso que plana sem explicação alguma (não se sabe ao certo se) no meio de uma vastidão de nada.
a parafina engole a chama tornando-a leitoso sopro, e mantendo-se parafina.
"logo agora que um novo capítulo começara".
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
desgastada virgindade
no arrastar da noite de domingo, passo, com a cabeça recostada no vidro do carro, pelas vitrines com dezenas de vestidos de noiva.
a luz direta, na umidade escura da rua, reflete-se nos babados de maneira desgastante.
são brancos, são champagne, são nude, são beges... no fundo são patéticamente brancos.
são de tule, tafetá, cetim e seda.
são de pano.
são evasês, drapeados, com rendas, nervuras, vidrilhos e pérolas.
são todos iguais,
cada vez mais hipócritas.
a luz direta, na umidade escura da rua, reflete-se nos babados de maneira desgastante.
são brancos, são champagne, são nude, são beges... no fundo são patéticamente brancos.
são de tule, tafetá, cetim e seda.
são de pano.
são evasês, drapeados, com rendas, nervuras, vidrilhos e pérolas.
são todos iguais,
cada vez mais hipócritas.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
doces bárbaros
o rock é o nosso tempo, baby
rock and roll é isso
chuck berry fields forever
os quatro cavaleiros do após-calipso, o após-calipso
rock and roll
capítulo um
versículo vinte
sículo vinte
século vinte e um
rock and roll é isso
chuck berry fields forever
os quatro cavaleiros do após-calipso, o após-calipso
rock and roll
capítulo um
versículo vinte
sículo vinte
século vinte e um
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
dessas conversas diárias
-acho que eu me identifiquei com direção de arte quando, na primeira aula da carla, ela disse algo como "direção de arte está em tudo. quando a gente faz uma salada a gente pode simplesmente servir uma salada ou pode compor as cores, as texturas, formas... " eu presto atenção nessas coisas praticamente 24 horas por dia.
-eu entendo! muitas vezes eu faço caponatta e só coloco pimentão pro vermelho dele pontuar.
-eu entendo! muitas vezes eu faço caponatta e só coloco pimentão pro vermelho dele pontuar.
sábado, 29 de agosto de 2009
simulacro slow motion, tensão medieval
meu rei, tu não foste covarde.
percorreste bosques, montanhas, florestas, rios e campinas em busca de esperança.
não acomodaste-te.
lutaste por teu reino, meu senhor, e teu povo reconhe-se-te.
lavaste a honra de vossos antepassados deixando, glorioso, tais longínquas terras ao novo lorde, sir trevus.
entregaste a própria vida ao abraço turvo da lâmina reluzente ao final de longas horas de árdua batalha.
jaziste com graciosidade ímpar no meio das planícies deste tabuleiro.
percorreste bosques, montanhas, florestas, rios e campinas em busca de esperança.
não acomodaste-te.
lutaste por teu reino, meu senhor, e teu povo reconhe-se-te.
lavaste a honra de vossos antepassados deixando, glorioso, tais longínquas terras ao novo lorde, sir trevus.
entregaste a própria vida ao abraço turvo da lâmina reluzente ao final de longas horas de árdua batalha.
jaziste com graciosidade ímpar no meio das planícies deste tabuleiro.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
o texto ao contrário.
queria escrever algo poético e semi-codificado sobre os 20 anos sem raul,
o como ele não se lembrou de surubim,
as conversas com meu pai,
o autógrafo, o pingente.
queria infiltrar entre o texto algo sobre o clipe "hurt", na versão do cash,
e em como é válida a afirmação de que a única coisa real é a dor.
porém, acho que o bem estar me impossibilita de uma inspiração mais profunda que essa confissão.
o como ele não se lembrou de surubim,
as conversas com meu pai,
o autógrafo, o pingente.
queria infiltrar entre o texto algo sobre o clipe "hurt", na versão do cash,
e em como é válida a afirmação de que a única coisa real é a dor.
porém, acho que o bem estar me impossibilita de uma inspiração mais profunda que essa confissão.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
tudo pela metade
eu admiro o que não presta
eu escravizo quem eu gosto
eu não entendo
eu trago o lixo para dentro
eu abro a porta para estranhos
eu cumprimento
eu quero aquilo que não tenho
eu tenho tanto a fazer
eu faço tudo pela metade
eu não percebo
eu falo muito palavrão
eu falo muito mal
eu falo muito
mesmo sem saber o que estou falando
eu falo muito bem
eu minto
.marisa monte.
eu escravizo quem eu gosto
eu não entendo
eu trago o lixo para dentro
eu abro a porta para estranhos
eu cumprimento
eu quero aquilo que não tenho
eu tenho tanto a fazer
eu faço tudo pela metade
eu não percebo
eu falo muito palavrão
eu falo muito mal
eu falo muito
mesmo sem saber o que estou falando
eu falo muito bem
eu minto
.marisa monte.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
hora extra
a obrigação começa às 8 mas
às 6 já se está de pé.
entre 6 e 8 não é ainda obrigação,
nem vida.
às 6 já se está de pé.
entre 6 e 8 não é ainda obrigação,
nem vida.
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