cenário: terminal santo antônio.
fila do VILA FIORI/VILA CARVALHO. (pouca gente sabe o que isso significa - só entende a gravidade da coisa quem mora no ibiti ou na fábrica da ykk).
pensa num ônibus que demora. agora pensa em um que demora mais.
ainda não se compara ao temido VILA FIORI/VILA CARVALHO, acredite.
esse famigerado busão passa, na TEORIA, de uma em uma hora.
o que não procede na vida real. dependendo do trânsito da cidade, do humor do motorista e da sorte do passageiro, ele pode demorar de UMA HORA E MEIA até DUAS HORAS E ALGUNS MINUTINHOS.
afora o fato de que ele passa pelo ponto final dele e abre a porta. ele PASSA COM A PORTA ABERTA, entenderam?
entrou, entrou. não entrou, problema é seu!
agora pensa que você perdeu uma miragem dessas por poucos minutos.
agora pensa que por irônia do destino o ponto do MINEIRÃO fica logo ao lado.
(explicando: o MINEIRÃO é um ônibus que, na TEORIA, passa de 5 em 5 minutos, mas na PRÁTICA passam uns 3 por minuto!!)
ao longo dessa experiência ÚNICA, no auge de sua agonia, fernando proclama:
"eu queria morar no mineirão!"
e dois slogans são criados:
"vila fiori/vila carvalho - poucos entram, alguns morrem, muitos ficam."
"vila fiori/vila carvalho - ilusão ou realidade?"
segunda-feira, 30 de junho de 2008
domingo, 29 de junho de 2008
sábado, 28 de junho de 2008
cântico negro
"vem por aqui" — dizem-me alguns
com os olhos doces
estendendo-me os braços,
e seguros de que seria bom que eu os ouvisse
quando me dizem: "vem por aqui!"
eu olho-os com olhos lassos,
(há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
e cruzo os braços,
e nunca vou por ali...
a minha glória é esta:
criar desumanidades!
não acompanhar ninguém.
— que eu vivo com o mesmo sem-vontade
com que rasguei o ventre à minha mãe
não, não vou por aí!
só vou por onde me levam meus próprios passos...
se ao que busco saber nenhum de vós responde,
por que me repetis: "vem por aqui!"?
prefiro escorregar nos becos lamacentos,
redemoinhar aos ventos,como farrapos,
arrastar os pés sangrentos,
a ir por aí...
se vim ao mundo,
foi só para desflorar florestas virgens,
e desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
o mais que faço não vale nada.
como, pois, sereis vós
que me dareis impulsos,
ferramentas e coragem
para eu derrubar os meus obstáculos?
corre, nas vossas veias,
sangue velho dos avós,
e vós amais o que é fácil!
eu amo o longe e a miragem,
amo os abismos, as torrentes, os desertos...
ide! tendes estradas,
tendes jardins, tendes canteiros,
tendes pátria, tendes tetos,
e tendes regras, e tratados,
e filósofos, e sábios...
eu tenho a minha loucura!
levanto-a, como um facho,
a arder na noite escura,
e sinto espuma, e sangue,
e cânticos nos lábios...
deus e o diabo é que guiam,mais ninguém!
todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
mas eu, que nunca principio nem acabo,
nasci do amor que há entre deus e o diabo.
ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
ninguém me peça definições!
ninguém me diga: "vem por aqui"!
a minha vida é um vendaval que se soltou,
é uma onda que se alevantou,
é um átomo a mais que se animou...
não sei por onde vou,
não sei para onde vou
sei que não vou por aí!
josé.régio
com os olhos doces
estendendo-me os braços,
e seguros de que seria bom que eu os ouvisse
quando me dizem: "vem por aqui!"
eu olho-os com olhos lassos,
(há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
e cruzo os braços,
e nunca vou por ali...
a minha glória é esta:
criar desumanidades!
não acompanhar ninguém.
— que eu vivo com o mesmo sem-vontade
com que rasguei o ventre à minha mãe
não, não vou por aí!
só vou por onde me levam meus próprios passos...
se ao que busco saber nenhum de vós responde,
por que me repetis: "vem por aqui!"?
prefiro escorregar nos becos lamacentos,
redemoinhar aos ventos,como farrapos,
arrastar os pés sangrentos,
a ir por aí...
se vim ao mundo,
foi só para desflorar florestas virgens,
e desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
o mais que faço não vale nada.
como, pois, sereis vós
que me dareis impulsos,
ferramentas e coragem
para eu derrubar os meus obstáculos?
corre, nas vossas veias,
sangue velho dos avós,
e vós amais o que é fácil!
eu amo o longe e a miragem,
amo os abismos, as torrentes, os desertos...
ide! tendes estradas,
tendes jardins, tendes canteiros,
tendes pátria, tendes tetos,
e tendes regras, e tratados,
e filósofos, e sábios...
eu tenho a minha loucura!
levanto-a, como um facho,
a arder na noite escura,
e sinto espuma, e sangue,
e cânticos nos lábios...
deus e o diabo é que guiam,mais ninguém!
todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
mas eu, que nunca principio nem acabo,
nasci do amor que há entre deus e o diabo.
ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
ninguém me peça definições!
ninguém me diga: "vem por aqui"!
a minha vida é um vendaval que se soltou,
é uma onda que se alevantou,
é um átomo a mais que se animou...
não sei por onde vou,
não sei para onde vou
sei que não vou por aí!
josé.régio
sexta-feira, 27 de junho de 2008
a garota do espelho
não conheço a garota que mora no espelho.
nem ao menos sei se devo dedicar-lhe minha admiração ou meu desprezo.
sei que sua existência independe de meu julgamento. e que minha opinião nunca foi tão desnecessária.
a garota do espelho me conta tudo, em detalhes imprevisíveis.
e dentro do que sua complexibilidade infantil permite, ela ainda consegue ser misteriosa.
às vezes ela sorri pra mim, e eu então devolvo seu sorriso, seja por prazer ou por educação.
aquela garota me faz pensar, me cala e me enlouquece.
e me fascina ao impor o fato de que nunca irei tocá-la.
[2004]
nem ao menos sei se devo dedicar-lhe minha admiração ou meu desprezo.
sei que sua existência independe de meu julgamento. e que minha opinião nunca foi tão desnecessária.
a garota do espelho me conta tudo, em detalhes imprevisíveis.
e dentro do que sua complexibilidade infantil permite, ela ainda consegue ser misteriosa.
às vezes ela sorri pra mim, e eu então devolvo seu sorriso, seja por prazer ou por educação.
aquela garota me faz pensar, me cala e me enlouquece.
e me fascina ao impor o fato de que nunca irei tocá-la.
[2004]
a cada mil lágrimas sai um milagre
"se
a obra
é a soma
das penas,
pago.
mas
quero meu troco
em poemas."
itamar.assumpção
a obra
é a soma
das penas,
pago.
mas
quero meu troco
em poemas."
itamar.assumpção
quinta-feira, 26 de junho de 2008
por menos
era visivelmente triste. parcialmente calvo. sentado naquele canto, absorto em seu jornal, ele até parecia parte do cenário.
pessoas entram no bar, pessoas saem do bar.
garçonetes com seus olhares baixos maquinalmente serviam cafés amargos e gelados para clientes ricos que, pervertidamente, reparavam em seus decotes.
o tempo passava lá fora, mas só lá fora.
dentro do bar era sempre tarde, sempre frio, sempre sempre.
achando sua cadeira ligeiramente desconfortável, ele lia uma matéria sobre novas invenções e pensava, despreocupadamente, em quanto era bom soltar pipa de domingo.
ah... o simples. nada poderia ser mais belo.
sentindo uma vibração energética estranha ele olha para cima instintivamente:
- café, senhor?
- sim, por favor.
ela se inclina e o café escorre do bule para a xícara, mas não sai aquela fumacinha típica. ele repara no decote dela e já não acha que soltar pipa seja a melhor coisa do mundo.
ela se afasta. ele prova o café.
“amargo”, pensa.
enquanto isso, do outro lado da cidade, uma criança nasce morta.
[2004]
pessoas entram no bar, pessoas saem do bar.
garçonetes com seus olhares baixos maquinalmente serviam cafés amargos e gelados para clientes ricos que, pervertidamente, reparavam em seus decotes.
o tempo passava lá fora, mas só lá fora.
dentro do bar era sempre tarde, sempre frio, sempre sempre.
achando sua cadeira ligeiramente desconfortável, ele lia uma matéria sobre novas invenções e pensava, despreocupadamente, em quanto era bom soltar pipa de domingo.
ah... o simples. nada poderia ser mais belo.
sentindo uma vibração energética estranha ele olha para cima instintivamente:
- café, senhor?
- sim, por favor.
ela se inclina e o café escorre do bule para a xícara, mas não sai aquela fumacinha típica. ele repara no decote dela e já não acha que soltar pipa seja a melhor coisa do mundo.
ela se afasta. ele prova o café.
“amargo”, pensa.
enquanto isso, do outro lado da cidade, uma criança nasce morta.
[2004]
quarta-feira, 25 de junho de 2008
terça-feira, 24 de junho de 2008
da série: mamãe tem vida própria
deise diz:
OK! Já mandei o email.... veja se entendeu. ALguma dúvida me fala.
.lp. diz:
a dúvida é a de sempre.
.lp. diz:
as letras do banco.
.lp. diz:
mas tudo bem, em 15 minutos eu consigo lembrar com certeza
deise diz:
Vou fazer uma frase veja se resolve Pato No Estádio
.lp. diz:
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
.lp. diz:
SANTA INGENUIDADE, BATMAN.
.lp. diz:
ok,ok. acho que consigo identificar a senha. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
deise diz:
POrque ingenuidade?
.lp. diz:
MINHA NOSSA DA CARROÇA! se é pra escrever a senha pelo msn QUAL A DIFERENÇA de escrever pne ou pato no estádio?
.lp. diz:
pato no estádio é infinitamente mais difícil de algum possível hacker identificar a senha? hackers não são analfabetos.
deise diz:
Tá legal....agora já foi.
OK! Já mandei o email.... veja se entendeu. ALguma dúvida me fala.
.lp. diz:
a dúvida é a de sempre.
.lp. diz:
as letras do banco.
.lp. diz:
mas tudo bem, em 15 minutos eu consigo lembrar com certeza
deise diz:
Vou fazer uma frase veja se resolve Pato No Estádio
.lp. diz:
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
.lp. diz:
SANTA INGENUIDADE, BATMAN.
.lp. diz:
ok,ok. acho que consigo identificar a senha. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
deise diz:
POrque ingenuidade?
.lp. diz:
MINHA NOSSA DA CARROÇA! se é pra escrever a senha pelo msn QUAL A DIFERENÇA de escrever pne ou pato no estádio?
.lp. diz:
pato no estádio é infinitamente mais difícil de algum possível hacker identificar a senha? hackers não são analfabetos.
deise diz:
Tá legal....agora já foi.
da série: fábulas do dia-a-dia
ele sentou na minha frente, mas de lado, graças a irritante disposição dos assentos do metrô.
parecia um ex-baterista de banda de metal tentando se desprender das drogas.
com olhar alucinado lia um livro qualquer de auto-ajuda, daqueles com capa colorida e cheia de efeitos, chamado "o amor é o caminho", ou qualquer coisa que o valha.
foi nesse sujeito que meus joelhos encostaram.
também pudera, além dos assentos em si serem demasiado juntos, minhas pernas são longas e o indivíduo não era nada pequeno.
ninguém fez nada a respeito.
conseguimos lidar bem com a situação durante duas estações, quando ele se levantou e foi embora, me deixando a pensar na desesperadora falta de contato físico entre as pessoas.
só mesmo no metrô para sentir alguma espécie de calor humano.
depois dessa estranha e necessária reflexão, uma dúvida ainda me assola:
ele era baterista?
parecia um ex-baterista de banda de metal tentando se desprender das drogas.
com olhar alucinado lia um livro qualquer de auto-ajuda, daqueles com capa colorida e cheia de efeitos, chamado "o amor é o caminho", ou qualquer coisa que o valha.
foi nesse sujeito que meus joelhos encostaram.
também pudera, além dos assentos em si serem demasiado juntos, minhas pernas são longas e o indivíduo não era nada pequeno.
ninguém fez nada a respeito.
conseguimos lidar bem com a situação durante duas estações, quando ele se levantou e foi embora, me deixando a pensar na desesperadora falta de contato físico entre as pessoas.
só mesmo no metrô para sentir alguma espécie de calor humano.
depois dessa estranha e necessária reflexão, uma dúvida ainda me assola:
ele era baterista?
salão de beleza
"mundo,
velho e decadente mundo,
ainda não aprendeu a admirar a beleza.
a verdadeira beleza.
a beleza que põe mesa
e que deita na cama.
a beleza de quem come.
a beleza de quem ama.
a beleza do erro puro,
do engano,
da imperfeição."
zeca.baleiro
velho e decadente mundo,
ainda não aprendeu a admirar a beleza.
a verdadeira beleza.
a beleza que põe mesa
e que deita na cama.
a beleza de quem come.
a beleza de quem ama.
a beleza do erro puro,
do engano,
da imperfeição."
zeca.baleiro
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