segunda-feira, 20 de setembro de 2010
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
amar.ula, amar.etto
a enlouquente apreciadora de licores fitava, por entre a pele, os músculos, a gordura e a placenta, aqueles olhos azuis açucarados.
meu deus! e se não fossem azuis?
mas é claro que seriam azuis.
a barriga da nora nunca estivera tão grávida.
não seria um absurdo dizer que estava verde de grávida.
tremendo de grávida.
explodindo de grávida.
e não havia frangélico que negasse isso.
ela seria avó dentro de poucos dias e isso era emoção demais para um tacinha só.
meu deus! e se não fossem azuis?
mas é claro que seriam azuis.
a barriga da nora nunca estivera tão grávida.
não seria um absurdo dizer que estava verde de grávida.
tremendo de grávida.
explodindo de grávida.
e não havia frangélico que negasse isso.
ela seria avó dentro de poucos dias e isso era emoção demais para um tacinha só.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
sistema nervoso - versão imperativa categórica
questiona tanto quanto quiseres, e sobre o que quiseres, mas obedeça.
.immanuel.kant.
.immanuel.kant.
sistema nervoso - versão transgressiva
o povo unido sempre sai ferido de algum jeito.
e você insiste que o sistema é cruel e escraviza o nosso povo...
te cuida, meu filho, não deixe o sistema nervoso.
[pelo @matheustorreao ]
e você insiste que o sistema é cruel e escraviza o nosso povo...
te cuida, meu filho, não deixe o sistema nervoso.
[pelo @matheustorreao ]
[purple]
saudades da gente, pudim.
saudades de mim.
há tempos não me sentia inspirada.
as rimas nem são propositais e, no entanto, vêm.
tenho medo que isso se perca pelo travesseiro.
seria uma pena.
gosto da leveza de achar que seria apenas uma pena, e não uma catástrofe.
nem tudo é uma catástrofe, afinal.
me prefiro assim.
tiro mais das pessoas, e dou mais de mim.
saudades de mim.
há tempos não me sentia inspirada.
as rimas nem são propositais e, no entanto, vêm.
tenho medo que isso se perca pelo travesseiro.
seria uma pena.
gosto da leveza de achar que seria apenas uma pena, e não uma catástrofe.
nem tudo é uma catástrofe, afinal.
me prefiro assim.
tiro mais das pessoas, e dou mais de mim.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
quinta-feira, 29 de julho de 2010
noética
minha cabeça anda manca
arrasta, piedosamente, os pensamentos mal formados
enquanto apoia-se em mentiras
arrasta, piedosamente, os pensamentos mal formados
enquanto apoia-se em mentiras
quinta-feira, 22 de julho de 2010
unisex
ele gosta de garotos, de preferência mais baixos que ele.
ele lê allan poe, augusto dos anjos e goethe.
clarice é ele.
em seu magro tronco correm estreitos varais poéticos , onde ele estende seus sentimentos mais soberbos e ali os abandona , para que sequem.
ele desafina seu tom para que o mundo o compreenda, mas sua guitarra, já mundana, não liga para tais burocracias.
led zeppelin, pink floyd, ac/dc.
cássia é ele.
ele admira trevor brown pela fina perversidade, e magritte pela genialidade nonsense.
ele filosofa no sofá como quem espera o coelho branco.
alice é ele.
seu drama cotidiano, hora cômico, hora cult, tem enredo ritmado e roteiro escrito por inúmeros punhos. e seu fabuloso destino, parece não chegar.
amélie é ele.
seu grafite, feito agulha, marca a pele e a alma. e é em forma de arte que é carregado nas costas alheias.
eu também sou ele.
> meados de 2007
ele lê allan poe, augusto dos anjos e goethe.
clarice é ele.
em seu magro tronco correm estreitos varais poéticos , onde ele estende seus sentimentos mais soberbos e ali os abandona , para que sequem.
ele desafina seu tom para que o mundo o compreenda, mas sua guitarra, já mundana, não liga para tais burocracias.
led zeppelin, pink floyd, ac/dc.
cássia é ele.
ele admira trevor brown pela fina perversidade, e magritte pela genialidade nonsense.
ele filosofa no sofá como quem espera o coelho branco.
alice é ele.
seu drama cotidiano, hora cômico, hora cult, tem enredo ritmado e roteiro escrito por inúmeros punhos. e seu fabuloso destino, parece não chegar.
amélie é ele.
seu grafite, feito agulha, marca a pele e a alma. e é em forma de arte que é carregado nas costas alheias.
eu também sou ele.
> meados de 2007
direto de 2007
a saudade come
a parca alma que me resta
feito traça ingênua
sem culpa, sem pressa
que não sabe o valor do alimento
a parca alma que me resta
feito traça ingênua
sem culpa, sem pressa
que não sabe o valor do alimento
sábado, 26 de junho de 2010
.lp é lígia paiva
curiosa nossa vida de hoje, parece que não terminei, de fato, de ler um livro, enquanto não transcrevo tudo que grifei no papel para a tela do skoob. como se eu devesse satisfação, precisasse provar que realmente li, ou ainda, me agarrasse na esperança de que, transcrevendo e publicando para o mundo aquilo que me resume, aumentariam as chances de alguém ler e, consequentemente, eu existiria por mais tempo.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
.mulherices
eu perco a pose com facilidade.
minha maquiagem é vagabunda, o pé não sustenta o salto,
e acho específico demais usar um sutiã 42A.
42A. 42 nas costas, 40 no bojo.
só descobri isso ano passado.
não sei ser mulher.
é engraçado o tamanho do que cobre o nosso tamanho.
nostalgia de alfaiates.
meu all star é 38. qualquer outro sapato é 39.
a vida toda tive vergonha de calçar 39.
não tenho mais.
minha maquiagem é vagabunda, o pé não sustenta o salto,
e acho específico demais usar um sutiã 42A.
42A. 42 nas costas, 40 no bojo.
só descobri isso ano passado.
não sei ser mulher.
é engraçado o tamanho do que cobre o nosso tamanho.
nostalgia de alfaiates.
meu all star é 38. qualquer outro sapato é 39.
a vida toda tive vergonha de calçar 39.
não tenho mais.
terça-feira, 11 de maio de 2010
via
que culpa tem o negro cão se a estrada invadiu a colina na qual ele corria?
para o cão, a colina será sempre colina, ainda que coberta de asfalto e salpicada de automóveis.
o cão corre, camuflado pela sombra que a lua nova emana.
o carro corre, como fuzileiro assustado, na corda bamba da estrada.
ao alcançar o asfalto, o cão é descoberto pelos olhos mecânicos do fuzileiro.
o pára-choque encontra o dorso do animal e, como se pedissem desculpa pelo descuido, ambos cedem.
que culpa tem o negro cão se a estrada invadiu a colina na qual ele corria?
para o cão, a colina será sempre colina, ainda que coberta de asfalto e salpicada de automóveis.
o cão corre, camuflado pela sombra que a lua nova emana.
o carro corre, como fuzileiro assustado, na corda bamba da estrada.
ao alcançar o asfalto, o cão é descoberto pelos olhos mecânicos do fuzileiro.
o pára-choque encontra o dorso do animal e, como se pedissem desculpa pelo descuido, ambos cedem.
que culpa tem o negro cão se a estrada invadiu a colina na qual ele corria?
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