quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

das faltas

se o teu amor despreza os sinais do amor
a pretexto de atingir a essência,
o teu amor não passa de um palavreado.
não descuides das felicitações,
nem dos presentes,
nem dos testemunhos.

antoine.de.saint-exupéry

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

dessas novas formas de conversar

é horrível isso.
um silêncio que tem cor.
e é branco.
que, por pura ironia, é todas as cores.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

ato falho

- não vem ao acaso.
ou melhor, não vem ao caso.
ao acaso pode até vir.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

a noite é grande e cabe todos nós

é inútil fazer a nossa beleza.
ela é uma descoberta do nosso próximo.
aqui está, por exemplo, uma flor.
não fez nada para que eu a achasse bela.
fui eu que senti a combinação do seu silêncio
com o esmaecimento de seu vermelho.
fui eu que descobri elegância
na inclinação do seu caule para a direita.

antônio.maria

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

inlakesh alaken

2010 atropelou a contagem regressiva e chegou antes.
invasivo, efusivo. chegou e é isso.
idependente de rituais, pedidos e promessas.
já está aqui e lide com isso.
do outro lado da partícula a gente inventa o tempo.
mas deste lado tem regras demais.
a falta de regra não é falta de ordem.
pode ser a presença mais pura desta.
a ordem não-burocrática, libertária e libertina, é consciência.
é elevação. é entendimento.
o ofício sem obrigação, punição ou autoritarismo, é artifício.
explode docemente, instintivamente, sobre tudo.
a extinção da hipocrisia faz milagres.
a recompensa vem de dentro.
a abstração do pormenor, a abstração da posse, daquilo que só o olho vê.
aqui se olha no olho e a vida segue mais.

sábado, 26 de dezembro de 2009

engano novo

um surpreendente ano novo.

arriscando e prometendo e pretendendo cumprir.
um sair do eixo, sincero desleixo, tentando suprir.
um grito bem alto, um despir-se do salto, um deixa cair.
aventurar-se no passo, sem fracasso ou cansaço, eterno expandir.
ser apenas humano, admitir um engano, deixar-se existir.

e que sejamos capazes de entender que ano novo é todo dia.

o que resta

chega um momento
em que somos aves na noite,
pura plumagem, dormindo de pé,
com a cabeça encolhida.
o que tanto zelamos
na fileira dos dias,
o que tanto brigamos
para guardar,
de repente não presta mais:
jornais, retratos, poemas, posteridade.
minha bagagem é a roupa do corpo.

fabricio.carpinejar

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

lee

e você me pede
pra ter paciência
e juízo
mas o que eu gosto
é de andar na beira
do abismo

arriscando minha vida
por um pouco
de emoção

rita

um belo dia resolvi mudar
e fazer tudo o que eu queria fazer
me libertei daquela vida vulgar
que eu levava estando junto a você
e em tudo que eu faço
existe um porquê
eu sei que eu nasci
sei que eu nasci pra saber
e fui andando sem pensar em voltar
e sem ligar pro que me aconteceu
um belo dia vou lhe telefonar
pra lhe dizer que aquele sonho cresceu
no ar que eu respiro
eu sinto prazer
de ser quem eu sou
de estar onde estou
agora só falta você

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

irrompem agônicos, nítidos

não sou ninguém! quem és?
és tu - ninguém - também?
há, pois, um par de nós?


emily.dickinson

sábado, 19 de dezembro de 2009

só me fantasio do que venho a ser

é na clareza da mente que explode a procura do novo processo
e o que é meu direito eu exijo, não peço
com a intensidade de quem quer viver e optar: ir ou não por ali
a nossa primeira antena é a palavra que amplia,
a verdade que assusta
e a gente repete que quer mas não busca
de um modo abstrato se ilude que fez


oswaldo.montenegro

terça-feira, 15 de dezembro de 2009