sexta-feira, 11 de julho de 2008
essa é pra você, fer.
la "periclitante" situación
- ¿dónde hay un subte aquí cerca?
- ¿un subte?
- ¡Sí!
- ¿de dónde eres?
- brasil.
- ah, que ótimo! o que é "subte"?
¬¬
- ¿un subte?
- ¡Sí!
- ¿de dónde eres?
- brasil.
- ah, que ótimo! o que é "subte"?
¬¬
domingo, 6 de julho de 2008
se resolver reconsiderar
voltei àquele lugar.
aquele lugar tão mal-dito por mim mesma.
e pela primeira vez senti aquela "aura" mágica que muitos já haviam descrito, mas que, do auto da minha mongicitude, nunca havia me permitido sentir.
aquela caixinha de surpresas que, apesar de pequena, acolhe
TODO O MUNDO.
o único lugar da cidade onde é possível encontrar:
antigos amigos, gays, cowboys, emos, patricinhas e playboys, a bargirl gótica, hippies, heteros, ex-namorados, ex-namoradas e ex-quases, pseudo-celebridades virtuais, antigos inimigos, exibicionistas, nerds, tiozões, pessoas que te confundem com outras pessoas, junkies, punks, rockeiros e afins, senhoras de 40 anos, o balconista da locadora, indies, tatuadores e tatuados, travestis, e mais qualquer coisa que sua fértil imaginação possa imaginar.
o único lugar onde você pode escutar na mesma noite (vendo os respectivos clips):
beatles, sonic youth, michael jackson, smiths, kids, cake, beck, jamiroquai, hole, radiohead, garbage, queen, mutantes, cardigans, pixies, who, talking heads, madonna, iggy pop, clash, blur, r.e.m, stooges, strokes, white stripes, joy division, depeche mode, daft punk, a-ha, james brown, pipettes, bowie, patti smith, chicks on speed, no doubt, amy winehouse, bjork, entre muitos outros.
o único lugar onde você pode encher a cara com 15 conto bebendo drinks bem feitos.
o único lugar onde você perde a comanda e paga míseros 6 (seis!) reais por isso.
se resolver reconsiderar, aproveite-se!
o mundo, quem sabe, vale a pena.
aquele lugar tão mal-dito por mim mesma.
e pela primeira vez senti aquela "aura" mágica que muitos já haviam descrito, mas que, do auto da minha mongicitude, nunca havia me permitido sentir.
aquela caixinha de surpresas que, apesar de pequena, acolhe
TODO O MUNDO.
o único lugar da cidade onde é possível encontrar:
antigos amigos, gays, cowboys, emos, patricinhas e playboys, a bargirl gótica, hippies, heteros, ex-namorados, ex-namoradas e ex-quases, pseudo-celebridades virtuais, antigos inimigos, exibicionistas, nerds, tiozões, pessoas que te confundem com outras pessoas, junkies, punks, rockeiros e afins, senhoras de 40 anos, o balconista da locadora, indies, tatuadores e tatuados, travestis, e mais qualquer coisa que sua fértil imaginação possa imaginar.
o único lugar onde você pode escutar na mesma noite (vendo os respectivos clips):
beatles, sonic youth, michael jackson, smiths, kids, cake, beck, jamiroquai, hole, radiohead, garbage, queen, mutantes, cardigans, pixies, who, talking heads, madonna, iggy pop, clash, blur, r.e.m, stooges, strokes, white stripes, joy division, depeche mode, daft punk, a-ha, james brown, pipettes, bowie, patti smith, chicks on speed, no doubt, amy winehouse, bjork, entre muitos outros.
o único lugar onde você pode encher a cara com 15 conto bebendo drinks bem feitos.
o único lugar onde você perde a comanda e paga míseros 6 (seis!) reais por isso.
se resolver reconsiderar, aproveite-se!
o mundo, quem sabe, vale a pena.
sábado, 5 de julho de 2008
maria maria
maria acordou naquele domingo com uma sensação estranha.
calçou as pantufas e foi fazer café. o pó estava acabando e a água demorou a ferver.
notou que precisava lavar urgentemente as cortinas.
revoltou-se em silêncio com seu esmalte vermelho, que já descascara.
lavou a louça acumulada do jantar de sábado.
serviu-se de seu próprio café e de bolachas velhas.
lembrou-se que esquecera do aniversário de tiago.
com que cara olharia para ele no dia seguinte?
adiou a preocupação.
passou o dia entre programas televisivos desinteressantes e cochilos no sofá.
à noite, pediu uma pizza. meia mussarela, meia calabresa.
comeu dois pedaços de mussarela e um de calabresa, com o aborrecimento de separar as finas fatias de cebola deste último, já que esquecera de requisitar a retirada do ingrediente ao fazer o pedido.
satisfeita, escovou os dentes com a mesma escova dos últimos dois anos, desligou a tv e dirigiu-se para o quarto.
descalçou as pantufas e, segundos antes de entregar-se ao sono, pensou nos problemas ainda pendentes de infiltração da casa.
foi apenas uma sensação estranha.
[2006]
calçou as pantufas e foi fazer café. o pó estava acabando e a água demorou a ferver.
notou que precisava lavar urgentemente as cortinas.
revoltou-se em silêncio com seu esmalte vermelho, que já descascara.
lavou a louça acumulada do jantar de sábado.
serviu-se de seu próprio café e de bolachas velhas.
lembrou-se que esquecera do aniversário de tiago.
com que cara olharia para ele no dia seguinte?
adiou a preocupação.
passou o dia entre programas televisivos desinteressantes e cochilos no sofá.
à noite, pediu uma pizza. meia mussarela, meia calabresa.
comeu dois pedaços de mussarela e um de calabresa, com o aborrecimento de separar as finas fatias de cebola deste último, já que esquecera de requisitar a retirada do ingrediente ao fazer o pedido.
satisfeita, escovou os dentes com a mesma escova dos últimos dois anos, desligou a tv e dirigiu-se para o quarto.
descalçou as pantufas e, segundos antes de entregar-se ao sono, pensou nos problemas ainda pendentes de infiltração da casa.
foi apenas uma sensação estranha.
[2006]
sexta-feira, 4 de julho de 2008
dos três mal amados
o amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato
o amor comeu minha certidão de idade,
minha genealogia, meu endereço
o amor comeu meus cartões de visita
o amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome
o amor comeu minhas roupas, meus lenços e minhas camisas,
o amor comeu metros e metros de gravatas
o amor comeu a medida de meus ternos,
o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus
o amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos
o amor comeu minha paz e minha guerra,
meu dia e minha noite,
meu inverno e meu verão
comeu meu silêncio,
minha dor de cabeça,
meu medo da morte
joão.cabral.de.melo.neto
o amor comeu minha certidão de idade,
minha genealogia, meu endereço
o amor comeu meus cartões de visita
o amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome
o amor comeu minhas roupas, meus lenços e minhas camisas,
o amor comeu metros e metros de gravatas
o amor comeu a medida de meus ternos,
o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus
o amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos
o amor comeu minha paz e minha guerra,
meu dia e minha noite,
meu inverno e meu verão
comeu meu silêncio,
minha dor de cabeça,
meu medo da morte
joão.cabral.de.melo.neto
quinta-feira, 3 de julho de 2008
minha querida vida social
é estranho constatar que, assistindo mais de três filmes consecutivos, você possa tornar seu dia infinitamente mais útil e prazeroso que se você saísse do sofá.
terça-feira, 1 de julho de 2008
da série: papai é uma bigorna
-tô com desejo de comer morango.
-tá grávida?
-só se for do espírito santo.
-vai saber... não seria a primeira vez...
-tá grávida?
-só se for do espírito santo.
-vai saber... não seria a primeira vez...
senhas
eu não gosto do bom gosto
eu não gosto de bom senso
eu não gosto dos bons modos
não gosto
eu aguento até rigores
eu não tenho pena dos traídos
eu hospedo infratores e banidos
eu respeito conveniências
eu não ligo pra conchavos
eu suporto aparências
eu não gosto de maus tratos
eu aguento até os modernos
e seus segundos cadernos
eu aguento até os caretas
e suas verdades perfeitas
o que eu não gosto é do bom gosto
eu não gosto de bom senso
eu não gosto dos bons modos
não gosto
eu aguento até os estetas
eu não julgo competência
eu não ligo pra etiqueta
eu aplaudo rebeldias
eu respeito tiranias
e compreendo piedades
eu não condeno mentiras
eu não condeno vaidades
o que eu não gosto é do bom gosto
eu não gosto de bom senso
não, não gosto dos bons modos
não gosto
eu gosto dos que têm fome
dos que morrem de vontade
dos que secam de desejo
dos que ardem
adriana.calcanhoto
eu não gosto de bom senso
eu não gosto dos bons modos
não gosto
eu aguento até rigores
eu não tenho pena dos traídos
eu hospedo infratores e banidos
eu respeito conveniências
eu não ligo pra conchavos
eu suporto aparências
eu não gosto de maus tratos
eu aguento até os modernos
e seus segundos cadernos
eu aguento até os caretas
e suas verdades perfeitas
o que eu não gosto é do bom gosto
eu não gosto de bom senso
eu não gosto dos bons modos
não gosto
eu aguento até os estetas
eu não julgo competência
eu não ligo pra etiqueta
eu aplaudo rebeldias
eu respeito tiranias
e compreendo piedades
eu não condeno mentiras
eu não condeno vaidades
o que eu não gosto é do bom gosto
eu não gosto de bom senso
não, não gosto dos bons modos
não gosto
eu gosto dos que têm fome
dos que morrem de vontade
dos que secam de desejo
dos que ardem
adriana.calcanhoto
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